Conta de água sobe 13,8% em Maio


A Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo) autorizou nesta segunda-feira (30) a Sabesp a reajustar as contas de água e esgoto em São Paulo em 13,8%.

No início de março, a Arsesp recebeu um pedido da Sabesp para que fosse feita uma revisão tarifária extraordinária para preservar o "equilíbrio econômico-financeiro" da empresa. A autorização para o reajuste foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira (31)

De acordo com a Arsesp, o reajuste autorizado foi de 6,3% para repor as despesas com energia elétrica e queda do consumo e mais 7% de correção inflacionária acumulada em um ano pelo IPCA (Índice de Preços aos Consumidor Amplo), além de outros fatores econômicos para chegar nos 13,8%. O aumento vale a partir de 11 de abril, com aplicação a partir de 11 de maio.

Por conta da crise hídrica, a empresa é afetada em dois pontos principais: 1) forte redução da receita em consequência da diminuição do consumo de água e do desconto concedido a clientes que conseguem economizar e 2) as obras e investimentos emergenciais que a Sabesp precisa fazer para tentar garantir o fornecimento de água.

O último reajuste na conta da Sabesp entrou em vigor em dezembro do ano passado e foi de 6,49%. O reajuste, que era para ter sido aplicado em abril de 5,4% foi adiado para o fim do ano, período pós-eleição onde o governador Geraldo Alckmin (PSDB) venceu e conseguiu a reeleição.

Segundo a Arsesp, a Sabesp pede o reajuste nas contas alegando o "aumento do custo de energia elétrica e a redução na demanda decorrente da crise hídrica". Conforme mostrou reportagem da Folha, a crise da água faz lucro da Sabesp despencar em 2014.

Se em 2013 a empresa paulista de saneamento lucrou R$ 1,9 bilhão, no ano passado esse valor despencou para R$ 903 milhões.

A deterioração é explicada pela combinação entre uma queda de 6,7% da receita bruta (equivalente a R$ 636 milhões) -provocada pela adoção de descontos para clientes que reduzam o consumo-, um aumento de 13,6% nas despesas da empresa (valor de R$ 1,1 bilhão) e de 18,5% nos investimentos chegando a R$ 3,2 bilhões.

A desvalorização do real complicou ainda mais a situação da empresa. Cerca de 40% da dívida da Sabesp é em moeda estrangeira, mas a empresa não conta com instrumentos financeiros de proteção contra depreciação cambial.


[Recursos hídricos]

Câmara aprova multa de R$ 250 a quem desperdiçar água em São Paulo

[Recursos hídricos]

Grande São Paulo tem, em média, 14 horas de torneira seca ao dia

[Recursos hídricos]

Sabesp disponibiliza no site período em que morador terá redução de água

[Notícias anteriores]